domingo, 12 de dezembro de 2010

Ei, pai

   Olha pra mim. Conversa comigo, você acha que eu cresci de acordo com os seus planos? Acha que dei motivos para que você possa se orgulhar de mim? Talvez seja uma pergunta retórica, no entanto, é sempre bom ouvir de sua boca que eu sou o teu orgulho. É algo tão estupendo, simplesmente inenarrável, uma sensação de missão cumprida e de felicidade quando digo que te amo a cada ano que passa. Sabia que é meu herói? Lembro-me bem de quando era pequena e que você me colocava pra dormir fazendo sumir todos os meus medos com as histórias mais interessantes e legais de todas. Quando segurava minha mão pra atravessar a rua, como até hoje faz não é? Era como se o mundo pudesse desabar que eu estaria protegida por aquela mãozona. Quando me cobria no meio da noite, pois sempre muito atrapalhada tirava todo o cobertor e acabava passando frio. 
   Não foi só na minha infância que me fizestes feliz, me amparou e me amou. Hoje, mesmo podendo me virar sozinha, correr atrás de todos os meus sonhos, eu não sei se conseguiria sem o teu amor, sem teu velho olhar me dizendo o que é certo e o que é errado. Talvez sim, pois cada palavra que sai de tua boca é captada por mim, cada ensinamento. Pai, quando me vi sozinha e desamparada, quando as luzes se apagaram... E o circo de horrores surgia, achei que não conseguiria, mas novamente te vi ao meu lado dizendo “juntos nós vamos conseguir” e juntos conseguimos. Sei que não é o homem perfeito, e nem o super-herói dos desenhos que irá me salvar de todos os perigos, mas sei que tenho a tua mão pra me tirar no abismo e me puxar pro teu peito, onde posso sentir seu coração bater e saber que ali é o meu ponto de paz. 
   Em momento algum aqui lhe chamei de senhor. Há quem diga que tal ato é sinônimo de respeito, educação, mas te chamar de senhor é te deixar tão longe de ser meu amigo. Eu, não chamo nenhum amigo de senhor, e todos sabemos que os amigos são quem guardam nossos segredos. Você. É, você mesmo. Esse cara aí com o sorriso escancarado no rosto, com essas lágrimas caindo, que é meu amigo, meu colega, meu abrigo, minha paz, meu espelho, meu orgulho. É você! Que fez e enfrentou tudo por mim, você meu pai. Feliz aniversário, e obrigado por ter me feito o que eu sou com todas as qualidades e também defeitos, mas como você mesmo diz “Eu não faço ninguém gostar de mim, gosta quem quer.” E eu, te amo. 


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